A opinião de ...

A NOSSA FIB É ELEVADA?

 
Há poucas semanas, participei num interessante debate sobre a felicidade. Falou-se da importância da felicidade na nossa vida privada, na profissão e na sociedade. Foram apresentados dados recolhidos pelo Inquérito Social Europeu, provando que há uma relação estreita entre o PIB (Produto Interno Bruto) e a FIB (Felicidade Interna Bruta). Quanto mais ricos, mais felizes?
Curiosamente, a FIB surgiu por antinomia ao PIB. Diz-se que o anterior rei do Butão criou o conceito de FIB em resposta aos que o criticavam pelo baixo PIB nacional. O PIB era baixo, alegava, mas mais importante que o PIB era o Índice Nacional de Felicidade Bruta. Para o rei butanês, o desenvolvimento do reino deveria ser aferido tendo em conta o bem-estar da população, a proteção da cultura e o desenvolvimento socioeconómico estável e igualitário, que o mesmo é dizer, a felicidade dos seus súbditos.
Para os mais focados na matéria que no espírito, o tema da felicidade não é importante. Ou, na melhor das hipóteses, reduzem o debate ao chavão de que o dinheiro é que dá felicidade. Seja como for, certo é que tem aumentado, um pouco por todo o mundo, o interesse pelo estudo e avaliação da felicidade das sociedades. A investigação convoca disciplinas tão diversas como economia, psicologia, sociologia, direito e ciências políticas. Nos EUA, existe um campo de investigação chamado law and happiness (direito e felicidade). Atualmente, em vários estados americanos, o direito à busca da felicidade é reconhecido na lei. Aliás, o direito à busca da felicidade remonta ao pós-guerra, tendo sido incorporado nas Constituições do Japão e da Coreia do Sul. Recentemente, a própria Organização das Nações Unidas (ONU) aconselhou os governos a elaborar políticas públicas visando a felicidade geral.
Uma das dificuldades identificadas pelos estudiosos reside em compatibilizar o bem-estar individual com o bem-estar coletivo. Ou seja, como atender à felicidade de cada cidadão sem comprometer a felicidade geral? Talvez Confúcio indique o caminho para sanar a dicotomia, ao dizer que “a melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros”. Também para Tolstói, “a alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira”. Mas já para Baudelaire, “a felicidade é composta de pequenos prazeres”. A felicidade é subjetiva e por isso de difícil definição.
Segundo o Índice de Felicidade, anualmente divulgado pelas Nações Unidas desde 2012, em 2017, a Noruega foi considerado o país mais feliz do mundo, destronando a Dinamarca. Portugal ficou-se pela 47ª posição. Não obstante Portugal ter vencido no ano passado o prémio de melhor destino turístico do mundo nos World Travel e de o Eurobarómetro sobre qualidade de vida nas cidades europeias colocar a capital portuguesa nos primeiros lugares, os portugueses não têm a perceção de felicidade de outros povos com idênticas (e até menos) razões para serem felizes. Talvez porque nós, portugueses, temos uma relação extremista com a felicidade, oscilando entre a euforia e a depressão, entre o otimismo e o pessimismo. Será que Schopenhauer tem razão quando afirma que “a nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos”?

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