Paulo Cortez investiga efeitos do eclipse nos animais
Uma equipa de investigadores vai monitorizar aves, morcegos e outros animais selvagens durante o eclipse solar de 12 de agosto, no Parque Natural de Montesinho, para perceber de que forma a redução súbita da luminosidade poderá alterar o comportamento da fauna.
Ao Mensageiro, o investigador Paulo Cortez, da Universidade Politécnica de Bragança, explicou que a ideia surgiu após uma visita realizada no âmbito da Ciência Viva à Brama e acabou por ser integrada num projeto europeu promovido a partir de Espanha, com a participação das universidades de Sevilha e do Porto e do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO).
“Do ponto de vista da curiosidade científica, o que vale é conjugar esforços, porque assim conseguimos mais informação e mais resultados”, afirmou.
Os investigadores seguirão um protocolo comum, de forma a tornar comparáveis os dados recolhidos nas regiões de Portugal e Espanha onde o eclipse atingirá pelo menos 98% de obscurecimento.
No extremo nordeste do Parque Natural de Montesinho serão instalados gravadores acústicos e câmaras de fotoarmadilhagem. O equipamento permanecerá no terreno durante vários dias antes e depois do eclipse, permitindo comparar a atividade habitual dos animais com o comportamento observado durante o fenómeno.
O estudo estará particularmente centrado nas aves e nos morcegos. Paulo Cortez admite que a escuridão antecipada possa levar algumas aves a recolherem e os morcegos a iniciarem mais cedo a atividade noturna.
“Pode haver alguma confusão: os morcegos poderão começar a sair dos locais onde se abrigam e, quando voltar a clarear, regressarem”, explicou.
A equipa pretende também aproveitar dados de animais monitorizados por GPS, como os lobos, e avaliar através das câmaras uma eventual atividade de javalis e pequenos mamíferos.
Embora a fase total do eclipse dure apenas alguns segundos, os efeitos da diminuição da luz serão sentidos progressivamente durante cerca de uma hora antes e depois. Como o fenómeno ocorrerá próximo do pôr do sol, será necessário distinguir a resposta ao eclipse da atividade crepuscular normal.
