Ambientalistas portugueses e galegos protestam contra mina junto à fronteira de Vinhais
A associação portuguesa UIVO e a organização galega Ecoloxistas en Acción convocaram para esta quinta-feira, 23 de julho, uma concentração internacional contra o projeto da mina de volfrâmio de San Juan, na Gudiña, na Galiza, situada a cerca de dois quilómetros da fronteira portuguesa e próxima do concelho de Vinhais.
O protesto está marcado para as 08:30, hora portuguesa, junto à igreja de San Martiño da Gudiña, e deverá juntar representantes de organizações de Portugal e da Galiza.
As duas organizações contestam a prorrogação da concessão mineira atribuída pela Xunta da Galiza à empresa sueca Eurobattery Minerals e alegam que não foram avaliados os potenciais impactos ambientais transfronteiriços do projeto.
Segundo o comunicado, a proximidade da exploração ao Parque Natural de Montesinho e à nascente do rio Rabaçal está entre as principais preocupações dos ambientalistas. O Rabaçal é apontado como um curso de água com elevado valor ecológico e importante para o abastecimento de água a várias aldeias do concelho de Vinhais.
A UIVO e a Ecoloxistas en Acción defendem que tanto a autorização inicial como a recente prorrogação da concessão deveriam ter sido submetidas a um procedimento de avaliação de impacto ambiental transfronteiriço, com consulta ao Estado português, invocando a legislação europeia e a Convenção de Espoo.
A mobilização acontece também numa altura em que, segundo as organizações, o Tribunal de Instrução n.º 1 de Santiago de Compostela abriu um processo para investigar uma eventual prática de prevaricação relacionada com a prorrogação, por 30 anos, da exploração mineira.
De acordo com o comunicado, a investigação surgiu após uma denúncia da Ecoloxistas en Acción contra o diretor-geral de Planeamento Energético e Minas da Xunta da Galiza e o administrador da empresa promotora do projeto. A organização sustenta que a extensão da concessão foi autorizada apesar da existência de decisões judiciais que, segundo a sua interpretação, obrigariam à realização de uma nova avaliação de impacto ambiental.
Os ambientalistas manifestam ainda preocupação com o alegado início de trabalhos no local enquanto persistem dúvidas sobre a situação jurídica da concessão e o cumprimento das normas ambientais.
A associação portuguesa UIVO prevê entregar simbolicamente uma carta ao município da Gudiña, na qual pretende transmitir a preocupação existente do lado português da fronteira com as possíveis consequências ambientais do projeto e pedir o cumprimento dos compromissos internacionais entre Portugal e Espanha.
A concentração deverá decorrer entre as 08:30 e as 10:00, hora portuguesa, e pretende também mobilizar cidadãos e entidades dos dois lados da fronteira em defesa do património natural comum.
