Nordeste Transmontano

Ambientalistas galegos e portugueses ocupam exploração mineira junto à fronteira

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 07/30/2026 - 12:22

Mais de uma centena de pessoas participaram numa concentração contra o prolongamento da concessão da mina de volfrâmio San Juan, em A Gudiña, na Galiza, seguindo-se uma ocupação simbólica da exploração por ativistas galegos e portugueses.

A iniciativa foi promovida pela organização Ecologistas en Acción e pelo Movimento UIVO, de Portugal, que contestam a legalidade da prorrogação por 30 anos concedida pela Junta da Galiza à exploração mineira promovida pela empresa sueca Eurobattery Minerals.

Durante a ação, os manifestantes exibiram uma faixa com cerca de 40 metros de comprimento, na qual exigiram o fim daquilo que classificam como “impunidade mineira”.

A mobilização reuniu membros de organizações ambientalistas e cidadãos dos dois lados da fronteira, que alertam para os eventuais impactos do projeto sobre os recursos hídricos e os ecossistemas partilhados por Portugal e Espanha.

Projeto fica a dois quilómetros de Portugal

A exploração projetada situa-se a cerca de dois quilómetros da fronteira portuguesa no concelho de Vinhais, nas proximidades do Parque Natural de Montesinho e das cabeceiras do rio Rabaçal.

Este curso de água tem importância ecológica e contribui para o abastecimento de água potável a várias localidades do concelho vinhaense.
Segundo os promotores do protesto, tanto a autorização inicial como a recente prorrogação da concessão foram aprovadas sem um procedimento de avaliação dos impactos ambientais transfronteiriços e sem consulta ao Estado português.

Os ambientalistas defendem que a localização e as possíveis consequências da exploração obrigavam ao cumprimento das normas europeias e do previsto na Convenção de Espoo, relativa à avaliação dos impactos ambientais além-fronteiras.

Tribunal investiga concessão da prorrogação

A contestação ocorre numa altura em que o Tribunal de Instrução n.º 1 de Santiago de Compostela abriu diligências para investigar a alegada prática de um crime de prevaricação na concessão da prorrogação por 30 anos.

A investigação foi desencadeada por uma denúncia apresentada pela Ecologistas en Acción contra o diretor-geral de Planeamento Energético e Minas da Junta da Galiza e o administrador da Eurobattery Minerals.

De acordo com a organização ambientalista, a autorização terá sido concedida apesar da existência de decisões judiciais definitivas que obrigariam a submeter qualquer prolongamento da concessão a uma nova avaliação de impacto ambiental.

A Ecologistas en Acción considera “preocupante que a empresa esteja a promover o início dos trabalhos enquanto persistem dúvidas sobre a legalidade da autorização e o cumprimento das obrigações ambientais”.

“A proteção dos ecossistemas e dos recursos hídricos partilhados entre a Galiza e Portugal não pode ficar subordinada aos interesses de uma empresa privada”, sustenta a organização na nota de imprensa.

Movimento português entregou carta ao autarca

No âmbito da mobilização, o Movimento UIVO entregou uma carta ao presidente do município de A Gudiña, manifestando a preocupação existente em Portugal com as possíveis consequências do projeto.

A organização portuguesa pediu o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelos dois países e a realização dos procedimentos de avaliação transfronteiriça.

O autarca recebeu uma delegação composta por representantes dos municípios portugueses potencialmente afetados e das organizações ambientalistas envolvidas no protesto.

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