A opinião de ...

«Quando a fé diminui, aumenta a superstição» (Papa Bento XVI)

O Halloween (termo inglês que significa ‘dia das bruxas’) é uma celebração pagã celebrada na véspera da celebração católica de ‘Todos os Santos’. Nascida no mundo anglófono, o Halloween não é nada mais do que a substituição do sagrado pelo profano com contornos e meios subtis. Sabemo-lo bem que as mudanças dos arquétipos e dos paradigmas sociais, políticos e culturais começam (sempre) pela imposição destes novos ideais nos mais jovens da sociedade. Gerar hábitos e necessidades novas é eliminar, paulatinamente, solenidades longamente instituídas e profundamente vividas. Cria-me muita estranheza que haja uma aversão a tudo o que possa ‘cheirar’ a católico. Pior, inquieta-me e perturba-me deveras ver os católicos a festejarem solenemente esta festividade pagã (e até há algumas Instituições com matrizes católicas a celebrar solenemente esta efeméride pagã, negligenciando, deste modo, a sua primaz vocação e missão de serem espaços e lugares de evangelização, de doutrinação e de catequese na fidelidade à Santa Igreja Católica!), desprezando a Solenidade de Todos os Santos que surge no calendário litúrgico como um prelúdio à oração solidária pelas almas daqueles que nos antecederam na fé, convidando-nos à assunção da vivência plena da Igreja como comunidade de santos (somos santos porque somos uma comunidade de baptizados na mesma e única Fé em Cristo Jesus) e que caminham como peregrinos pelo trilho da santidade.
Por isso, rezar será sempre um acto de verdade e sobretudo de muita coragem! Sim, muita coragem! Coragem para não nos acomodarmos às exigências fugazes da moda e das conveniências do pensamento dominante! Como é difícil tornar apelativo a oração, a abnegação de mim, o calor dos meus desejos, no morrer nos meus egos, no fazer do outro o centro e o mais importante, de tornar Deus o centro gerador de sentido! É preciso muita coragem para mudar o que está a acontecer mesmo à nossa frente. Só a oração verdadeira, íntima e comunitária pode mudar a nossa mundividência.
Deixemo-nos tocar pela oração! Abramo-nos a este encontro com o Deus do Amor! No silenciamento de mim e dos meus egos, a oração do silêncio abre espaço para o encontro com Deus Nosso Senhor; Aquele que acende em nós o fogo da vida, que nos amplia e renova constantemente; Aquele que nos impele a ver o mundo como lugar de ternura e de verdade; Aquele que transforma o vil em bom, o feio em belo; Aquele que imprime sentido e razão às nossas vidas; Aquele que nos tira das nossas vidas miseráveis e nos concede a vida da Paz e da Graça.
Partilho convosco um excerto de um texto que muito recentemente me tocou e que me fez caminhar, que me fez rezar mais e me obrigou a ir mais profundo em mim mesmo: «[…] um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e que abrasa por onde quer que passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios acender em todos os homens o fogo do amor divino. Nada o demove, alegra-se nas privações, empreende trabalhos, abraça dificuldades, compraz-se nas calúnias, regozija-se nos tormentos. Não pensa senão no modo de imitar e seguir Jesus Cristo, rezando, trabalhando, sofrendo e procurando sempre e unicamente a glória de Deus e a salvação das almas» (Santo António Maria Claret, bispo). Quem dera que (todos) tivéssemos a ousadia de partilhar este desejo…

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3755