São Bartolomeu a Santuário já! Depois das obras...
No passado domingo, o Monte de São Bartolomeu, a 833 metros de altitude, acolheu a celebração do Padroeiro, culminando na assinatura pública do Protocolo de Colaboração entre o Cabido e o Município. Perante uma expressiva assembleia, unindo as forças vivas de Samil e da Cidade, escuteiros e as mais altas autoridades civis e eclesiais, o ato transcendeu a mera espuma dos dias.
Longe de ser um mero arranjo de secretaria, este entendimento desenha um Pacto de Solidariedade Ativa, provando que o progresso regional exige a união entre a herança histórica, o poder político e a responsabilidade social. O texto, discutido em tempo recorde graças à calejada experiência do Dr. João Rodrigues, Diretor do Ambiente, e ao empenho da Presidente da Câmara, Prof.ª Doutora Isabel Ferreira, reconhece a titularidade do Cabido sobre o Artigo Matricial 2693, regulando o usufruto público do Planalto. A Igreja pede travão à proliferação desordenada de betão, assumindo a Ecologia Integral da “Laudato Si” na preservação do silêncio, da fauna, da flora e da matriz religiosa do adro e da Capela.
Como as contas da Igreja carecem de dotação para engenharia urbana, multiplicamos pães, mas não euros, a reabilitação da Capela apoia-se na candidatura de 100.000€ ao Subprograma 2 da DGAL. Diante do bloqueio de Lisboa, que suspendeu a linha, o Cabido conta com a liderança municipal para continuar a exigir o resgate das verbas, amparadas pelo cofinanciamento camarário de 30% (até 30.000€). Na montanha Transmontana a conservação dos templos, capelas e santuários, reclamam pela sua função comunitária melhor comparticipação pública.
O Cabido conta ainda com a Prof.ª Doutora Isabel Ferreira para levar o cabeço ao cimo, tal como elevou o Centro de Investigação de Montanha (CIMO) na atual Universidade Politécnica de Bragança (UPB), a instituição do nosso profundo contentamento. Sendo conhecedora de ambos, bem podia fazer com que o monte fosse um laboratório vivo e o CIMO ganhasse prémios internacionais lá no alto! Apela-se ao brio dos técnicos, confiando em que não hesitarão em resgatar as diretrizes do estudo de 2010 do Prof. Doutor Sidónio Pardal, para que a identidade da nossa pedra seca, do xisto e do granito vença o facilitismo do cimento.
A fina ironia transmontana fez-se notar ao visionar os “slides” das obras. Um amigo, reparando nos gráficos em 3D, observou: “Repara na eficiência do projetista! Conseguiu remover, sem quaisquer atritos, as torres de betão por detrás da Capela. Não fiques triste, olha que bonito fica!” No ecrã a harmonia visual venceu, mas no mundo real o gigante das telecomunicações teima em operar num regime de «linhas cortadas» e de uma informalidade hertziana que urge sintonizar.
Esta assinatura coroa três anos de trabalho consecutivo e celeridade municipal merecedora de aplauso. Tanto assim é que, entusiasmado com o horizonte, o Cónego Silvério Pires fez um pedido público a D. Nuno Almeida: “Logo a seguir à conclusão das obras, esperamos a elevação canónica da Capela a Santuário Diocesano.” Bragança agradece.
