Matadouro do Cachão em insolvência
O Matadouro Industrial do Cachão (MIC) está em processo de insolvência, sendo que a decisão sobre a continuidade da sua atividade ou o seu encerramento depende agora da Assembleia de Credores se aceita ou não o Plano de Recuperação que vai ser apresentado pela administração daquela unidade de abate, cujos acionistas são as câmaras de Mirandela e Vila Flor.
O caso foi denunciado, publicamente, esta quinta-feira, pelo SINTAB, Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, que emitiu uma nota de imprensa a lamentar a “sentença da insolvência” do MIC que, no entender daquele sindicato irá significar “a destruição de mais de 20 postos de trabalho”.
O SINTAB acrescenta que o “eventual encerramento” do Matadouro Industrial do Cachão representará uma “machadada absurda num dos principais pilares da economia agroindustrial de Trás-os-Montes”.
Mas esta situação, para o SINTAB é ainda mais grave, alegando que “ignora completamente a realidade e as necessidades da região do nordeste transmontano, dado que não existe, neste momento, qualquer infraestrutura com capacidade equivalente de abate em funcionamento”, lembrando aquele sindicato que o matadouro de Bragança “encontra-se encerrado para obras, prevendo-se que assim permaneça durante todo o verão; o de Mogadouro continua em construção, com sucessivos atrasos que apontam a sua conclusão para uma data nunca antes de outubro; e o de Miranda do Douro está igualmente em obras, por falta de condições, estando mesmo prevista a sua relocalização”.
Na nota de imprensa, o SINTAB reforça que a produção pecuária, em particular a bovinicultura, “constitui um dos principais pilares de subsistência da região, e não pode ser abandonada”.
ADMINISTRAÇÃO ACREDITA QUE PLANO PODE SALVAR O MATADOURO
Confrontado com este assunto, o administrador do MIC, Michel Monteiro, confirma que existe um processo de insolvência apresentado por um dos credores, mas adianta que ainda vai ser elaborado um plano de recuperação para apreciação da Assembleia de Credores.
Michel Monteiro começa por dizer que a nota de imprensa do SINTAB é “infundada no sentido em que é referido que já estão 20 pessoas em casa, sem estar a trabalhar, o que é completamente mentira. A atividade do matadouro mantém-se com toda a normalidade”, garante.
O administrador do MIC confirma a existência de um processo de insolvência requerido por um dos credores. “Não é o maior credor, mas é um dos que têm bastante peso na dívida e que tem essa legitimidade e nós não temos como o impedir. É um efeito da lei”, sublinha.
No entanto, Michel Monteiro adianta que está a ser elaborado um plano de recuperação. “Dentro de dias, estaremos em condições de o apresentar ao Administrador Judicial para que ele também o possa levar à Assembleia de Credores, o que significa que a nossa intenção é de manter a atividade em funcionamento, mas não dependerá só dos acionistas ou do Conselho de Administração esta decisão”, explica o administrador que lamenta o conteúdo do comunicado do SINTAB.
“Aquilo que mais me preocupou hoje foi precisamente esta notícia infundada que levou alguns clientes do matadouro a ligarem-me desesperados, este é o termo, porque o matadouro fechou e ninguém lhes disse nada, o que é completamente infundado. Ora, uma empresa que pretende implementar um plano de recuperação, se vamos de alguma forma passar uma mensagem aos nossos clientes de que estamos encerrados, é um passo para não viabilizarmos o futuro da empresa. Se os indicativos de abate têm vindo a diminuir e com esta notícia alguns acreditarem ou especularem que já está fechado, só piora o cenário do matadouro daí esta nossa preocupação. Queremos que os nossos clientes percebam que o matadouro mantém-se em funcionamento e vamos deixar correr os trâmites normais do processo de insolvência, por onde passará a atualização do plano de recuperação e aí sim dar aos criadores esta possibilidade de votarem aquilo que entenderem com base no plano que nós iremos apresentar”, sustenta.
O Administrador garante que o MIC na esfera dos privados, “não é viável", porque para laborar "precisa, no mínimo, de 17 funcionários, só que também precisam de férias, o que significa que dos 17, lhes vamos acrescentar neste caso, mais 6. O Matadouro tem 23 funcionários no ativo neste momento”, ressalva Michel Monteiro acrescentando que os dois acionistas do MIC, os Municípios de Mirandela e Vila Flor, estão dispostos "a cobrir os custos adicionais do défice de exploração daquela unidade de abate para garantir a sua operacionalidade. “
Resta aguardar pelo início do mês de maio, para se conhecer a decisão da Assembleia de credores relativamente ao plano de recuperação. Se aceita e o matadouro continua a funcionar ou, em caso de não ser aceite, então o matadouro encerra a sua atividade que já leva 40 anos.
O MIC pertence à Agro-Industrial do Nordeste, cujas entidades detentoras são os municípios de Mirandela e Vila Flor que adquiriram a unidade de abate, em 2005, por 450 mil euros, à PEC Nordeste, numa altura em que o Estado procurou desfazer-se do negócio da carne.
Atualmente, cada município está a financiar a unidade de abate com cerca de 100 mil euros.
