Concatedral acolheu a primeira Dramatização da Paixão de Cristo em Língua Mirandesa
Foi na Sexta-feira Santa que a Concatedral de Miranda do Douro foi palco de um momento cultural e espiritual sem precedentes. Centenas de pessoas reuniram-se para testemunhar a Dramatização da Paixão de Cristo, que, pela primeira vez na história da região, apresentou os seus diálogos fundamentais em Língua Mirandesa.
Organizado pela Mirandanças – Associação para o desenvolvimento integrado da Terra de Miranda, em estreita parceria com o Município de Miranda do Douro, o evento revelou-se “um verdadeiro marco na preservação e elevação da identidade local, levando o património linguístico da região ao patamar do sagrado”, segundo anunciou a organização, em comunicado.
A encenação, levada a cabo por "atores" da própria comunidade local — pessoas que dedicaram os seus últimos meses a ensaios intensivos —, recriou “com profunda emoção os episódios centrais da vida de Jesus”, desde o Nascimento e a escolha dos apóstolos, até aos momentos derradeiros da morte e ressurreição.
“Quadros de elevado impacto emocional marcaram a noite. Passagens bíblicas icónicas como a expulsão dos vendilhões do templo, a Última Ceia e o comovente encontro com Maria no caminho do Calvário ganharam uma nova força e proximidade ao serem ouvidas na sonoridade única do Mirandês”, lê-se.
A inclusão da Língua Mirandesa no guião assumiu-se não apenas como uma escolha estética ou dramatúrgica, mas como um ato de afirmação de um património imaterial que atravessa gerações.
“O cruzamento da mensagem universal de amor e sacrifício com a voz autêntica e resiliente das gentes de Miranda resultou num espetáculo arrepiante, onde o silêncio de respeito e as lágrimas do público ditaram o sucesso da iniciativa”, defende a organização.
“A Mirandanças e o Município de Miranda do Douro congratulam-se com a adesão massiva e o impacto gerado, agradecendo o esforço incansável de todos os participantes, voluntários, parceiros locais e entidades que, nos bastidores e no palco, tornaram este sonho realidade”, lê-se ainda.
