Diocese

Bispo sublinhou que “Quinta-Feira Santa é um dia de gratidão e de alegria”

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 04/09/2026 - 09:51

“A Quinta-Feira Santa é, pois, um dia de gratidão e de alegria, pelo grande dom do amor até ao extremo, que o Senhor nos fez. Como testemunho do seu amor aos seus discípulos e à humanidade, na hora da despedida, Jesus não nos deixou uma lembrança, uma imagem, um dom memorável, um objeto querido de estimação, à maneira humana. O seu testamento é o seu sacrifício. E o seu sacrifício é Ele mesmo.”

Foi desta forma que o bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, explicou a importância da Quinta-feira Santa, durante a homilia da Missa da Ceia do Senhor, em que o prelado realizou a cerimónia de lava-pás, à semelhança do que fez Jesus aos Apóstolos na Última Ceia.

“Com esta celebração da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, a Igreja Una e Santa reacende a memória da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e da Caridade, e dá início ao Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do seu Senhor (o Tríduo Pascal prolonga-se até às Vésperas II do Domingo da Ressurreição), que constitui o ponto mais alto do Ano Litúrgico, de onde tudo parte e aonde tudo chega, coração que bate de amor em cada passo dado, em cada gesto esboçado, em cada casa visitada, em cada mesa posta, em cada pedacinho de pão sonhado e partilhado. É assim que Deus nos dá a graça de caminhar durante todo o Ano Litúrgico, dia após dia, Domingo após Domingo, sempre partindo da Páscoa do Senhor, sempre chegando à Páscoa do Senhor”, explicou D. Nuno Almeida.

Na sua homilia, o bispo de Bragança-Miranda sublinhou que, “em Cristo, Deus despoja-se do seu esplendor divino, ajoelha-se diante de nós, lava e enxuga os nossos pés sujos, para nos tornar capazes de participar no banquete nupcial de Deus!”

“É, pois, o amor misericordioso de Jesus até ao fim, que nos purifica, que nos lava; é o amor serviçal de Jesus que nos arranca da nossa soberba e nos torna capazes de Deus. É Ele que nos torna puros. Não somos nós que nos purificamos, à custa de algum rito ou sacrifício. Voltando-nos para Ele, na fé, somos purificados pela sua Palavra, lavados pelo seu Sangue”, disse D. Nuno Almeida.

O prelado sublinhou, então, que “isto que o Senhor nos faz, como exemplo, torna-se agora mandamento para nós”. “Isso significa, em primeiro lugar, que devemos lavar-nos os pés uns aos outros, no recíproco serviço quotidiano do amor. Mas devemos lavar-nos os pés, também no sentido de que nos perdoamos sempre de novo uns aos outros. A isto nos exorta a Quinta-Feira Santa: não deixar que o rancor para com o próximo se torne, no fundo, um envenenamento da alma. Exorta-nos a purificar continuamente a nossa memória, perdoando-nos reciprocamente de coração, lavando os pés uns dos outros, para assim podermos ir juntos ao banquete de Deus”, frisou.

“Eis o mistério admirável, maravilhoso da nossa fé: do Deus connosco, Deus para nós e Deus por nós! Que mais podia fazer Jesus por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia mostra-nos um amor que chega “até ao extremo” “amou-os até ao fim” (Jo 13,1), “um amor que não conhece medida” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n.11). Amor que dá a própria vida para a vida do mundo!

Jesus diz, num imenso dizer de revelação ainda a retinir nos nossos ouvidos e a ecoar em tudo o que fazemos: «Como Eu vos fiz, fazei vós também!» (Jo 13,15). Vê-se bem, meus irmãos, que não é tanto o que se faz que interessa. Interessa muito mais o como se faz. O segredo é dar a vida por amor, para sempre, para todos. Jesus é o único Mestre que ensina a Viver desta maneira. E é assim que fica bem à nossa vista o significado da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e da Caridade.

Que o Senhor da nossa vida nos ensine a ser fiéis ao seu dizer e ao seu modo admirável de fazer”, disse, antes de concluir com um poema:

Quinta-Feira é Santa:
Sabe a Deus,
Sabe a pão,
Sabe a alegria,
Sabe a Eucaristia!

Quinta-Feira é Santa:
Sabe a amor,
A dádiva da vida,
A uma lágrima comovida.

Quinta-Feira é Santa:
Sabe a Ceia
E a Jesus,
Luz grande que incendeia
As trevas do coração,
E faz nascer amor e comunhão.
Ámen!

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