A opinião de ...

Novas Maravilhas, velhos desafios

As recentes candidaturas e a passagem à fase final do Castelo de Bragança e da Domus Municipalis às “Novas 7 Maravilhas de Portugal” enchem-nos, naturalmente, de orgulho bragançano.
No entanto, quer a Domus Municipalis, único exemplar de arquitetura civil românica em toda a Península Ibérica e classificada como Monumento Nacional desde 1910, quer o Castelo de Bragança, um dos mais importantes e melhor preservados do país, também Monumento Nacional desde 1910, não precisam de concursos para provar o seu valor.
Confesso, por isso, a minha ambivalência pois não acreditando muito neste tipo de concursos mediáticos, em que o património corre o risco de ser reduzido a ranking televisivo e votação por chamada telefónica ou aplicação, lhe reconheço, contudo que, no mundo em que vivemos, esta visibilidade é uma oportunidade importante para afirmar Bragança, atrair turistas e reforçar o orgulho de quem cá vive.
Não refiro esta ideia apenas como observador distante, mas como alguém que sentiu, por dentro, na sequência de mandato recebido do povo, entre 2001 a 2013, como presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria, assim como o meu tesoureiro, Jorge Moreira, um “vileiro” de alma, sangue e coração, o esforço que era preciso fazer para ultrapassar os bloqueios e para fazer desenvolver este património, as jóias mais preciosas da Freguesia, e conciliar as orientações do IPPAR, o incremento das atividades e do turismo, a mobilidade e a vida real de moradores.
Há, todavia, neste feliz evento, a oportunidade propícia para uma reflexão mais aprofundada, a partir de uma pergunta que dele se pode extrair: o que queremos, afinal, que signifique esta nomeação para Bragança e, mais particularmente, para o Castelo e a Domus Municipalis?
É que estes títulos valem o que valem, realçam o que realçam, sobretudo em termos promocionais, turísticos e de imagem, mas que ficam aquém, sempre, da verdadeira grandeza que os nossos monumentos têm e que devia ser medida antes pelo lugar que ocupam na vida quotidiana da cidade e do concelho, na memória afetiva e sobretudo nas prioridades políticas.
Para isso, o Castelo e a Domus têm de deixar de ser apenas cenário e tornarse, de facto, esapaços mais valorizados, mais vividos, mais frequentados e mais dinamizados.
Há, porém, condições materiais que não se podem adiar por mais tempo. São vários os exemplos: abrir a Domus ao público, numa perspetiva de visita integrada com outros espaços; cuidar das muralhas e do próprio pelourinho que apresentam um estado de degradação e abandono; concretizar umas escadas que permitam descer da muralha sem ter de recuar pelo mesmo caminho, a fim de não só assegurar uma exigência mínima de acessibilidade mas também segurança; uma gestão mais inteligente do trânsito dentro do perímetro do castelo e a criação de mais áreas de estacionamento nas proximidades que libertariam o espaço para as pessoas e para uma visita tranquila; e, ouso dizêlo, para o Castelo é que faria sentido um acesso mecanizado, pensado com rigor urbanístico e sensibilidade patrimonial, para o aproximar mais do quotidiano de todos, incluindo idosos, famílias com crianças, pessoas com mobilidade reduzida!
Era também a altura de expandir a Feira Medieval, que tive a alegria de iniciar, marcando o calendário cultural anual da cidade.
No próximo dia 8 de agosto, em Amarante, seria muito bom que a Domus Municipalis e o Castelo de Bragança fossem eleitas e, para isso, é preciso votar. Contudo, depois de as luzes se apagarem, a resposta à pergunta caberá nas decisões concretas que tomarmos, juntos.

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