Venezuela, a lei da selva em todo o seu esplendor
A avaliar pelos primeiros dias deste novo ano, contra tudo o que seria de esperar, espera-se e exige-se de todos os grandes responsáveis pela condução dos destinos da humanidade que tenham a coragem e o bom senso de, antes que seja tarde, fazerem tudo o que está ao seu alcance para travar a atual escalada de guerra que ameaça por em causa a estabilidade e o futuro de toda a humanidade, de que é exemplo paradigmático a recente invasão ilegítima da Venezuela, levada a cabo pelo atual presidente dos Estados Unidos da América.
Sobre este crime, vamos deixar de ser líricos e inocentes porque, a única e grande intenção da recente invasão da Venezuela, que foi preparada até ao mais ínfimo pormenor durante os últimos meses e divulgada por todo o mundo, através duma colossal máquina de comunicação, ao contrário do que quiseram fazer crer aos mais distraídos, foi única e exclusivamente um pretexto falacioso para combater a introdução de droga nos Estados Unidos da América através da Venezuela e, como em tantas outras vezes da sua história recente, aproveitar a ocasião para legitimar a intromissão no governo dum país vizinho, exclusivamente para se apropriarem das suas riquezas incalculáveis de petróleo e gaz natural e, por arrastamento, satisfazer os sonhos paranoicos e as ambições imperialistas do seu atual presidente, que dá pelo nome de Donald Tramp.
Aqui chegados, é oportuno questionar como e quando isto irá parar e, simultaneamente, lembrar quantas vezes já se viu isto na história recente dos povos, tendo desde já a certeza absoluta de que, se nada for feito para inverter as atuais tendências imperialistas e expansionistas de muitos dos atuais responsáveis pela condução dos destinos da humanidade, (chamem-se eles Maduros, Putines, Trampes, Komeneis, Xiaupingues e tantas outras reses semelhantes a eles, todos farelos do mesmo saco), os grandes valores e princípios de referência, bases e fundamentos de que dimanaram as leis que, durante séculos, moldaram o convívio entre os povos e a as nações, tendo como principais vetores, entre muitos outros, o respeito pela diferença, o reconhecimento do mérito de cada um, a ajuda mútua, a repartição equitativa dos bens e a igualdade perante a lei, rapidamente serão substituídos pela lei da força e pela ganância insaciável de toda a espécie de crápulas, ditadores sem escrúpulos e sem vergonha, bem como da camarilha de bajuladores que parasitam à sua volta, aos quais, de preocupados que estão com o mundo que gira à volta dos seus umbigos, não resta um único minuto para se preocuparem com o sofrimento e os dramas vivido, entre muitos outros, pelos povos mártires da Ucrânia e da Argentina, sacrificados sem dó nem piedade na ara da sua ambição.
Atendendo à velocidade estonteante com que as coisas estão a mudar, se nada for feito para inverter esta atração fatal para o abismo, catastrofismos à parte, toda esta nossa civilização em que temos vivido, corre sério risco de, num abrir e fechar de olhos, desaparecer da face da terra sem deixar qualquer rasto. Será isto que queremos legar às gerações vindouras?
