A opinião de ...

Democracia - 2 (continuação) Do reverso da medalha à desmontagem de um mito

Ainda a visão da democracia segundo Hans Hermann Hoppe.
“Quem é o proprietário cuida sempre melhor do que quem administra temporariamente.
Um politico eleito não é dono de nada. É um gestor provisório com acesso a recursos alheios e assim, o seu incentivo nunca é preservar, mas simplesmente extrair.
A politica deixa de ser governação para passar a ser exploração organizada”. Aqui chegados, concorde-se ou discorde-se dele, Hans-Hermann Hoppe lança sobre esta matéria aquilo que por muitos já foi como uma autêntica bomba atómica, fazendo a comparação entre a monarquia patrimonial e a democracia, não por nostalgia, mas por mera lógica económica.
“Um rei, defende ele, que vê o território como herança tem incentivos a longo prazo, ao contrário dum governante eleito que, limitado por mandatos mais ou menos curtos, maximiza os ganhos imediatos, fazendo com que a democracia, longe de moralizar o poder, institucionalize a preferência temporal , menos poupança, mais divida e mais consumo político imediato, subalternizando sempre e só, tanto o presente como futuro, à cotação da moeda eleitoral”.
Outro mito que desmonta é o da igualdade política, onde a teoria do “Um homem um voto pode soar a justo mas, na pratica, um voto não tem custo. A ignorância política é racional e o resultado é previsível: grupos organizados dominam massas desinformadas, e essa igualdade formal resume-se a uma cortina de fumo para encobrir uma desigualdade real de influência e captura do eleitorado e do próprio estado, do que decorre a inevitável a expansão continua do próprio estado.
Se todos podem votar para viver à custa do estado de todos, o estado não se auto limita, cresce a despesa, a regulamentação, a fiscalidade e a complexidade legal, não para servir os cidadãos, mas para gerir e controlar.
A democracia não trava o estado, mas legitima-o moralmente, e a corrupção, neste contexto, não é exceção nem falha ética individual, mas uma caraterística sistémica.
Quando os ganhos são privados e os custos socializados, o comportamento racional é capturar o poder político, porque nenhum discurso moral resolve incentivos perversos”.
Mas Hoppe vai mais longe e desmonta o mito das democracias pacíficas, as quais, segundo ele, “tendem a fazer guerras mais longas, totais e moralizadoras, onde o custo é diluído pela população e a violência embrulhada em linguagem humanitária, que deixa de ser trágica para se tornar virtuosa, onde nem a educação nem a justiça se salvam.
A escola estatal, longe der formar cidadãos críticos, forma súbditos funcionais, ideologicamente uniformes, moralmente desresponsabilizados e dependentes do estado, onde o pensamento crítico só é permitido se não questionar os fundamentos do sistema”.
No campo da justiça, o diagnóstico é ainda mais duro, ao afirmar com todas as letras, que “um monopólio que cria leis, julga conflitos e executa sentenças, é por definição inseguro e injusto. Sem concorrência a justiça degrada-se, como qualquer outro serviço monopolizado”. ( Continua no próximo número)

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