Miranda do Douro

Romance de Válter Hugo Mãe “O Nosso Reino” traduzido para mirandês

Publicado por Francisco Pinto em 10-09-2026 11:08

O romance de Válter Hugo Mãe “O Nosso Reino” tem uma versão em mirandês, numa tradução da responsabilidade da Associaçon de Lhéngua i Cultura Mirandesa (ALCM), que levou quatro anos a ser concluída.

O tradutor da obra, Alcides Meirinhos, membro da ACLM, disse que o trabalho teve início em 2018, estendendo-se até 2022, e terá o título “L Nuosso Reino”.

Esta edição será apresentada a 18 de setembro no âmbito das comemorações do Dia da Língua Materna.

“Esta publicação pretende afirmar o mirandês como língua capaz de acolher e recriar literatura contemporânea, aproximando uma das vozes mais reconhecidas da literatura portuguesa de uma língua com raízes históricas particularmente ligadas ao território transmontano”, vincou Alcides Meirinhos.

“O Nosso Reino” faz parte do Plano Nacional de Leitura para o ensino secundário e a edição da tradução mirandesa acontece quando se assinalam os 30 anos de carreira do escritor Válter Hugo Mãe.

Alcaides Meirinhos contou que a principal dificuldade na tradução desta obra foi a adaptação dos termos linguísticos do Planalto Mirandês aos termos do litoral que são utilizados por Válter Hugo Mãe.

“A grande dificuldade foi a adaptação da terminologia que caracteriza a região do litoral para a paisagem do interior. Ou seja, tudo que é ligado à orla litoral como praia, marés... Aqui o trabalho foi adaptar a paisagem da Terra de Miranda à do litoral, no que respeita à ligação ao mar”, explicou.
“O Nosso Reino”, originalmente publicado em 2004, é o romance de estreia de Válter Hugo Mãe. Centrado numa criança de 8 anos, que procura uma resposta de Deus, permite um possível retrato do Portugal distante e pobre no termo da ditadura do Estado Novo, ao mesmo tempo que demonstra a intemporalidade do processo de aprendizagem, em que “cada dia é um esforço para se provar o milagre de se ser alguém”.

Para Alcides Meirinhos, “a língua mirandesa é capaz de descrever o mundo, como só ela sabe fazer e adaptar-se a qualquer conceito e qualquer realidade linguística”.

Alcides Meirinhos lembrou ainda que há já outros textos de relevo que estão traduzidos para língua mirandesa, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada no ‘site’ da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), bem como textos do Diário da República.

A Constituição da República Portuguesa, também numa tradução de Alcides Meirinhos, é outro dos documentos disponíveis em língua mirandesa e terá a sua apresentação pública em 17 de setembro.

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