Bragança

PSD de Bragança acusa presidente da Câmara de “reescrever a história” sobre o setor primário

Publicado por AGR em Qua, 06/24/2026 - 15:36

A Comissão Política de Secção do PSD de Bragança repudiou as declarações da presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, que, na abertura da Feira Agrícola de Bragança, a quem acusou de ter afirmado que o setor primário foi esquecido no passado.

Em comunicado, os sociais-democratas consideram que a afirmação é “profundamente injusta” e “politicamente infeliz”, acusando a autarca de revelar “total desconhecimento” pelo trabalho desenvolvido pelos anteriores executivos municipais liderados pelo PSD na valorização da agricultura, da pecuária e do mundo rural.

Para a estrutura concelhia do PSD, as declarações constituem “uma tentativa evidente de desvalorizar o legado” dos anteriores executivos, que, segundo o partido, sempre reconheceram o setor primário como “um dos pilares estratégicos da economia local e da identidade” do concelho.

O PSD sustenta que, nos últimos 12 anos de liderança social-democrata na autarquia, foi consolidada uma política de proximidade com os agricultores, de apoio às associações do setor, de promoção dos produtos locais, de suporte aos certames realizados no meio rural e na vila de Izeda, bem como de valorização das atividades agrícolas e pecuárias.

No comunicado, os sociais-democratas afirmam que foram investidos mais de 2,5 milhões de euros diretamente no apoio ao setor primário, através de políticas ativas, melhoria de infraestruturas, novos projetos, valorização dos produtos endógenos e promoção das raças autóctones.

Entre os exemplos apontados está a assunção integral, desde 2019, dos custos com a vacinação de animais contra a tuberculose e a brucelose, medida que, segundo o PSD, aliviou os criadores de bovinos, ovinos e caprinos de encargos financeiros que recairiam sobre as explorações.

O partido destaca ainda o apoio à realização de campeonatos de chega de touros e concursos pecuários, considerados fundamentais para a preservação do património genético da região, bem como as obras de melhoria no Matadouro Municipal e a preparação de procedimentos para a modernização da linha de abate e otimização das condições de funcionamento.

Na área da castanha, o PSD recorda a implementação de uma candidatura aprovada pelo PDR 2020 para combater pragas e doenças do castanheiro, nomeadamente a vespa das galhas e o cancro.

A promoção dos produtos locais e da gastronomia é outro dos pontos sublinhados. O comunicado refere a organização e apoio a eventos gastronómicos, a mobilização em torno das candidaturas às 7 Maravilhas de Portugal, que resultaram na eleição do Mel do Parque Natural de Montesinho como uma das 7 Maravilhas de Portugal – Doces, e a candidatura da Mesa de Bragança. O PSD lembra ainda a preparação da candidatura de Bragança à Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na área da Gastronomia, sob o lema “Bragança, Criativa”.

Os sociais-democratas acusam também o Governo socialista de ter travado projetos de regadio considerados vitais para o concelho. Segundo o PSD, foram elaboradas candidaturas ao Programa Nacional de Regadios para três aproveitamentos hidroagrícolas: Parada - Coelhoso, Calvelhe e Rebordãos, num investimento previsto de 33,96 milhões de euros.

Essas candidaturas, refere o comunicado, foram reprovadas pelo Governo do PS, no qual Isabel Ferreira exercia funções de secretária de Estado, razão pela qual o PSD entende que a atual presidente da Câmara partilha “responsabilidade política” pelo travão ao desenvolvimento agrícola do concelho.

O partido enumera ainda trabalho de proximidade desenvolvido com maquinaria municipal, como a construção de charcas em várias aldeias para reserva de água, limpeza e manutenção de caminhos agrícolas e aceiros, e apoio técnico e financeiro para a construção de pontões essenciais à mobilidade dos agricultores.

Para a Comissão Política de Secção do PSD de Bragança, “os factos e os números demonstram que o setor primário nunca foi esquecido”, mas antes “estruturado com investimento, proximidade e visão de futuro”.

“O desenvolvimento rural de Bragança faz-se com obra feita e responsabilidade, e não com narrativas de ocasião”, conclui o comunicado.

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