Isabel Ferreira acusa PSD de “aproveitamento partidário” e rejeita ter atacado anteriores executivos
A presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, rejeita ter feito qualquer acusação aos anteriores executivos municipais liderados pelo PSD relativamente ao setor primário e considerou “totalmente despropositado” o comunicado da Comissão Política de Secção do PSD de Bragança, que criticou as suas declarações na abertura da Feira Agrícola.
Em declarações ao Mensageiro de Bragança, a autarca afirmou que as suas palavras foram descontextualizadas e que o objetivo do discurso foi sublinhar a necessidade de dar maior valorização à agricultura e ao setor agroalimentar.
“Talvez não estivessem presentes com atenção na cerimónia de abertura. Eu não faço acusações. Aliás, não tenho esse hábito. O que eu faço, sinto e demonstro é a preocupação para o desenvolvimento de Bragança, como sempre”, afirmou Isabel Ferreira.
A presidente da Câmara esclareceu que, na abertura da Feira Agrícola, não disse que tinha sido feito “pouco nem muito” no passado, mas sim que, durante “demasiado tempo”, o setor primário “não teve a valorização que merece”.
“O que importa é que, claramente, para o meu executivo, a questão da agricultura e do agroalimentar é uma prioridade. É uma prioridade desde o primeiro dia e não foi só na Feira da Agricultura que eu o disse”, frisou.
Isabel Ferreira recordou que, logo após tomar posse, assumiu a ambição de afirmar Bragança como um território de referência no setor agrícola e agroalimentar.
“Mal tomei posse, disse: quero que Bragança seja um ‘food valley’, quero que tenha uma centralidade no setor agrícola e no setor agroalimentar”, sublinhou.
Segundo a autarca, Bragança reúne “condições para assumir essa centralidade, pela existência de agricultores, produtos de excelência, freguesias rurais com forte ligação à atividade agrícola, uma Escola Superior Agrária que formou milhares de profissionais e um centro de investigação de referência nacional e internacional nesta área”.
“Encontrei imensos ex-alunos na feira, não só expositores que até estão noutros pontos do distrito, mas também visitantes, e isso mostra bem a importância deste setor”, afirmou.
Isabel Ferreira explicou que o discurso na Feira Agrícola serviu para “dar visibilidade a um programa já sufragado pela Assembleia Municipal” e para “anunciar iniciativas de valorização do setor”.
“Não disse nada de novo. Anunciei as iniciativas que valorizam o setor, como é o caso do Conselho Consultivo da Agricultura, a candidatura ao Food Valley, entre outras”, referiu.
Para a presidente da Câmara, o comunicado do PSD falhou o alvo e transformou uma mensagem dirigida à valorização da agricultura num confronto partidário.
“Pareceu-me totalmente despropositado e, mais uma vez, falharam o alvo. Foi também um aproveitamento partidário que ninguém percebe”, afirmou.
Isabel Ferreira defende que a agricultura deve ser um tema mobilizador e não um campo de disputa partidária.
“A agricultura e este tema têm que ser um setor que mobiliza todos: todos os partidos, todas as pessoas”, sustentou.
A autarca disse ainda que, durante os dias em que esteve presente na Feira Agrícola, sentiu um forte sentimento de pertença por parte dos produtores, empresários, investigadores e visitantes.
“Se há algo que eu senti em todos os dias em que estive na feira e em que falei com todas as pessoas, foi um sentimento de pertença em relação à feira. As pessoas sentem a feira como delas”, destacou.
Isabel Ferreira sublinha que as suas palavras não foram dirigidas a nenhum partido, mas sim ao setor agrícola e à valorização que este precisa por parte da autarquia, da Região Norte e do país.
“Se há qualquer complexo ou culpa que depois os faça vir justificar e elencar uma série de investimentos, isso já fica à responsabilidade de quem proferiu as declarações”, afirmou.
A presidente da Câmara considerou ainda que o comunicado do PSD descontextualizou as suas palavras e colocou os próprios sociais-democratas “no alvo” de declarações que, garantiu, não tinham esse destinatário.
“Eu não me revejo minimamente em aproveitamentos partidários, porque é disto que se trata. Não é aproveitamento político, isto não é fazer política. Isto é aproveitamento partidário”, acusou.
“Se enfiaram a carapuça, eles saberão as razões. Não são as minhas certamente”, concluiu Isabel Ferreira.
