Capelo e Nuninho fecham ciclo no Bragança com homenagem
O Grupo Desportivo de Bragança homenageou este domingo Fabien Capelo e Nuninho, dois jogadores que terminaram a carreira de futebolista após vários anos de ligação ao emblema brigantino. A homenagem decorreu antes do encontro da segunda jornada da Série 1 do Campeonato de Portugal, frente ao SC Braga B, com a Direção do clube a entregar aos antigos jogadores quadros representativos do percurso realizado e uma tarja que ficará na bancada do Estádio Municipal de Bragança junto dos adeptos.
Fabien Capelo, que vestiu a camisola do GD Bragança durante 29 épocas, é o jogador mais utilizado da história do clube, com 396 jogos realizados. O antigo capitão terminou a carreira aos 36 anos e mostrou-se orgulhoso pelo reconhecimento.“Foi uma homenagem que o clube considerou que eu merecia. É sempre especial sentir o estádio cheio, ainda por cima na despedida. Os adeptos sabem que dei sempre tudo pelo clube e pela cidade”, afirmou.
Entre as memórias do percurso, Capelo apontou a descida ao campeonato distrital, em 2021/2022, como o momento mais difícil, enquanto lembrou o jogo frente ao Braga, na Taça de Portugal da época passada, como um dos mais felizes. “O momento mais negativo foi quando descemos ao Distrital. Foi o momento em que mais me entristeceu no clube. O momento mais feliz foi na época passada, quando defrontámos o Braga para a Taça de Portugal, num jogo no qual a cidade se uniu toda em torno do clube.”
Sobre um eventual regresso ao futebol, o antigo capitão não fecha a porta, embora não o perspetive para os próximos anos. “Durante dois ou três anos não posso pensar nisso porque não vou estar em Portugal, mas quem sabe no futuro. O Bragança sempre foi parte da minha vida e quando o clube precisar de mim — ou quando entender que é a altura de regressar — cá estarei.”
Também Nuninho terminou a carreira aos 30 anos, após 23 épocas ligadas ao GD Bragança. “É sempre muito gratificante perceber o carinho que o clube e as pessoas têm por nós. Foi um momento que nunca vou esquecer e é um motivo de orgulho ter podido representar este clube durante tantos anos”, afirmou.
O antigo jogador recordou a passagem pelos campeonatos distritais como o momento mais difícil do percurso e apontou a última temporada, com a qualificação para a fase de subida, entre as melhores experiências vividas no clube. “Pela negativa, foi a primeira vez que fomos ao Distrital. O clube estava numa fase mais complicada e foi o momento mais difícil que passei no clube. A época transata correu-nos muito bem e garantir a fase de subida foi inesquecível, tal como o primeiro golo pela equipa sénior.”
A decisão de abandonar o futebol, explicou, resultou sobretudo de uma reflexão sobre o futuro e da necessidade de conciliar a vida desportiva com a familiar. “Foi uma decisão que me custou muito e que ainda me custa, mas tinha de ser tomada e acho que este ano seria o momento certo. Apesar de ainda me sentir capaz e ter todas as condições para continuar, senti que era a altura certa.”
Para já, Nuninho pretende afastar-se do futebol, embora não descarte um eventual regresso em outras funções.“Agora quero desligar um pouco do futebol, mas no futuro, quem sabe.”
O treinador do GD Bragança, André Irulegui, que orientou os dois jogadores nas últimas duas temporadas, considerou a homenagem plenamente justificada e frisou o profissionalismo demonstrado por ambos. “São dois jogadores que deixaram tudo em campo. Foram verdadeiros capitães de equipa.”
Irulegui elogiou ainda como ambos encerraram o percurso no clube. “Invejo-os porque não tive a coragem que eles tiveram de acabar quando tinha de acabar. Deram tudo ao clube e despedem-se como campeões”, concluiu.
Fotos: Guilherme Moutinho
