Bragança recordou legado de Adriano Moreira
Bragança assinalou, no passado sábado, o 104.º aniversário do nascimento de Adriano Moreira com uma iniciativa evocativa da vida e da obra do antigo ministro, jurista e professor universitário, natural de Grijó de Vale Benfeito, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
A homenagem contou com a presença de familiares e incluiu uma eucaristia na Sé de Bragança, presidida pelo bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, bem como uma sessão dedicada ao percurso e ao pensamento de Adriano Moreira.
Na homilia, D. Nuno Almeida recordou “um português ilustre de Trás-os-Montes” e destacou a capacidade de Adriano Moreira para procurar uma convergência entre “os valores da História” e as exigências do presente e do futuro.
“Recordamo-lo para agradecer a vida, os dons que recebeu e cultivou e o legado que nos deixou através da palavra, dos gestos e da ação”, afirmou o bispo, considerando que os escritos e o testemunho de Adriano Moreira continuam a ajudar a compreender o mundo.
D. Nuno Almeida recuperou também uma imagem frequentemente utilizada pelo homenageado: a roda de uma bicicleta, cujo eixo representava os valores comuns da humanidade. Sem esse eixo, advertia Adriano Moreira, crescem o caos e o número de vítimas.
Entre esses valores, o bispo apontou a moralidade, a legalidade, a defesa dos mais vulneráveis, o respeito pela natureza e a proteção da vida e da dignidade humana. Sublinhou ainda que, para Adriano Moreira, o cristianismo não constituía apenas um sistema de valores, mas uma adesão a Jesus Cristo e ao seu projeto de vida.
“Amar os outros, cuidar da criação, acolher os estrangeiros e proteger os mais fracos e deserdados são compromissos a viver”, referiu D. Nuno Almeida, acrescentando que estas convicções podem ser encontradas na vida e na obra do professor, recordado “com respeito e gratidão”.
O vice-presidente da Câmara de Bragança, Pedro Rego, salientou, por sua vez, o contributo concreto de Adriano Moreira para o concelho e para o distrito, lembrando que a principal biblioteca da cidade tem o seu nome e acolhe o espólio que doou para consulta pública.
“É uma figura que teve um contributo muito concreto para o nosso distrito e para o nosso município. Temos em Bragança a Biblioteca Adriano Moreira, à qual doou o seu espólio para que pudesse ser usufruído por todos”, afirmou.
Segundo Pedro Rego, a iniciativa permitiu revisitar as várias dimensões do percurso do homenageado, enquanto ministro, jurista, académico e professor, mantendo viva a ligação entre Adriano Moreira, a família e o território transmontano.
Durante a sessão foi ainda apresentada a obra “O Milagre da Preta”, de Zeferino Venade Ribeiro, vencedora da quarta edição do Prémio Literário da Lusofonia Adriano Moreira.
A evocação realiza-se anualmente em setembro, por ocasião do aniversário do nascimento de Adriano Moreira, por iniciativa do Conselho de Curadores da Biblioteca Municipal Adriano Moreira.
