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A Química nos fatos de banho

Com a chegada dos dias solarengos, as praias e as piscinas enchem-se de cor e animação. Nestes dias não pensamos na Ciência quando vestimos o fato de banho. Porém, a moda balnear resulta de uma fantástica viagem científica que começou com a ambição humana de imitar os segredos da natureza.
No coração desta história estão os polímeros, estruturas gigantes formadas por longas cadeias de unidades repetidas, como elos de uma corrente. Na natureza encontramos exemplos magníficos destas estruturas como a celulose, que dá rigidez às plantas, ou a seda, famosa pela sua leveza, textura e resistência incomparáveis. Fascinado por estas características, o Homem tentou replicá-las em laboratório. Esta ambição deu origem a polímeros sintéticos como o Nylon, o Poliéster e o Elastano, fibras que revolucionaram a indústria têxtil e são a base dos fatos de banho.
Contudo, um mergulho expõe o tecido a inimigos impiedosos, como a radiação ultravioleta (UV), o sal do mar e o Cloro das piscinas. Este, em contacto com a água, gera um ácido que, ao Sol, induz a formação de radicais livres, que atacam as fibras e provocam a cisão das suas longas cadeias. Quando estas se quebram, o tecido perde a elasticidade e degrada-se, sendo o Nylon e o Elastano os que mais sofrem.
Para contrariar esta degradação e manter as cadeias intactas, a Química têxtil desenvolveu aditivos inovadores. Por exemplo, para anular a ação dos UV, que provocam um efeito semelhante ao Cloro, usam-se partículas orgânicas que absorvem a radiação e a convertem em calor inócuo para as fibras. Por outro lado, os bloqueadores inorgânicos atuam como pequenos espelhos e refletem a luz, enquanto que os estabilizadores, à base de aminas, eliminam os radicais livres logo que se formam, impedindo que o fato de banho se rasgue.
Relativamente ao sal da água, o desafio é físico. Quando a água do mar evapora, formam-se cristais de sal afiados que cortam o Elastano. Para evitar isto, aplicam-se ao tecido acabamentos repelentes de água, levando a que esta escorra antes do sal cristalizar.
A evolução tecnológica continuou e transformou a natação de alta competição. Conceberam-se fatos de banho, de Poliuretano, para reter pequenas bolhas de ar entre o tecido e a pele. As bolhas induziam a flutuação dos nadadores e reduziam o atrito, permitindo nadar mais rápido e bater recordes mundiais. No entanto, estes fatos de banho foram proibidos para eliminar esta vantagem artificial.
Por último, elenco procedimentos que se podem adotar para preservar este género de roupa: após o seu uso, passar o fato de banho por água fria, para remover o sal ou o Cloro; evitar máquinas de lavar, lixívia e secadores, optando por secá-lo à sombra; evitar o contacto com protetores solares, pois estes reagem com o tecido e provocam manchas amarelas.
Termino com uma nota sobre a matéria-prima usada para fabricar estas fibras, o petróleo. Este recurso, finito, não serve só para produzir combustíveis. Como se pode verificar, sustenta e molda a indústria têxtil.

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