A opinião de ...

O atasco espanhol

Na tradução de «atasco», em Espanhol, para Português resulta: engarrafamento, impedimento, demora, impasse.
Atasco é o que resultou pela quarta vez em quatro anos de outras tantas eleições legislativas. Só que, lá, a assembleia nacional chama-se Cortes ou Congreso de los Diputados.
A votação de ontem, dia 10 de Novembro ou 10-N como eles costumam dizer, tinha duas curiosidades para lá da dificuldade de conseguir arranjos governativos a partir dos resultados eleitorais. Eram a de saber que votação teriam os partidos de Direita face à trasladação dos restos mortais de Franco e face ao independentismo da Catalunya (Catalão) ou Cataluña (Espanhol). E a de saber se os movimentos independentistas da Catalunha se reforçavam.
Os resultados mantiveram as dificuldades em constituir governo e não afirmaram nem a força da Direita nacionalista e, eventualmente, integrista étnica nem o independentismo catalão.
Em termos de Governo, ficou impossível constituir um governo natural, isto é, constituído ou por partidos de Direita ou por partidos de Esquerda. A solução possível é a de um acordo entre um partido social-democrata (Partido Socialista Obrero Español, PSOE) e um partido liberal-social (Partido Popular, PP).
Em Espanha, desde 1978, e, em Portugal, desde 1989, não são possíveis governos de mediação presidencial, cá, e do Rei, lá. A experiência que tivemos em Portugal, entre Julho de 1978 e Dezembro de 1979, só foi possível porque a intervenção de Ramalho Eanes era constitucionalmente possível, até à revisão de 1982.
Porém, nada impede que os partidos se entendam, tanto em Espanha como em Portugal, mas não será natural que dois partidos que alternam no Poder o façam. No entanto, em Portugal, tal ocorreu entre 1983-1985 (PS e PSD).
Era bom que houvesse um entendimento, tanto para a estabilidade de Espanha como para a estabilidade de Portugal. Basta-nos ver que a autovia Quintanilha-Zamora não foi lançada em termos de obra porque os partidos no Governo Espanhol (PSOE e o Podemos), ao tempo, não se entenderam quanto a isso. E também a economia espanhola se está a ressentir da instabilidade dos últimos quatro anos.
Quanto à nova votação na Direita, sobretudo no Vox e no Cs (Ciudadanos), independentemente dos movimentos internacionais de afirmação das ideologias de Direita, parece não constituir um reforço dos movimentos de Direita.
Isto porque os partidos de Direita (Ciudadanos e VOX), ao contrário da maior parte das análises que tenho visto, perderam dezanove deputados, o que tem de se traduzir numa derrota da Direita para o Liberalismo Social do PP e para a liderança nacionalista do VOX. Com efeito, o Ciudadanos perdeu 47 deputados, para 10, de Abril para cá, e o VOX ganhou 28 no mesmo período, para 52. O PSOE e o PP obtiveram, respectivamente, 120 e 88 num Congreso de 350.
Derrotados foram a Esquerda e o independentismo catalão: o PSOE perdeu três deputados e o Podemos, 7. E Os movimentos independentistas catalães perderam um deputado, de 24 para 23.

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