A opinião de ...

Temperança em tempos de agressividade

A reflexão semanal do Papa Francisco, proferida na audiência pública desta quarta-feira, alertava para a necessidade de “temperança” no período que vivemos, “de agressividade”.
Citado pela Agência Ecclesia, o Papa afirmava que a virtude da “temperança” ajuda todos a “pesar e medir bem as palavras”, num mundo de “excessos”, elogiando quem vive com equilíbrio e sobriedade.
“Aprendamos a cultivar a virtude da temperança, de modo a poder controlar as nossas palavras e ações para evitar conflitos desnecessários e promover a paz na nossa sociedade”, pediu aos participantes.
Numa reflexão dedicada à quarta virtude “cardeal”, na tradição católica, Francisco sublinhou a importância de evitar palavras ditas por “ímpeto ou exuberância”, ou num “momento de raiva” que podem destruir “relacionamentos e amizades”.
O Papa apontou, também, aos relacionamentos familiares.
“Especialmente na vida familiar, na qual as inibições são reduzidas, todos corremos o risco de não controlar as tensões, as irritações e a raiva”, advertiu.
No entanto, Francisco lembrou, também, que, na vida, “há um tempo para falar e um tempo para calar, mas ambos exigem a medida certa”.
Ou seja, devemos ser comedidos mas não subservientes. Há um tempo para calar mas também um tempo para falar, e ambos devem ser exercidos, ainda que com tempo, peso e medida.
Numa altura em que se assinalam os 50 anos do 25 de abril, que teve como uma das maiores conquistas a liberdade, de entre elas a de expressão, o Papa não nos pede que a deixemos de exercer. Mas antes que a saibamos exercer. Porque, como ouvi recentemente um amigo frisar, “não devemos ficar reféns da tolerância”.
Por isso, o Papa Francisco apresentou a temperança como a virtude da “justa medida”.
“Num mundo onde tantas pessoas se orgulham de dizer o que pensam, a pessoa com temperança prefere pensar o que diz. Percebem a diferença? Não dizer apenas o que me vem à cabeça, não: pensar no que tenho de dizer”, indicou aos milhares de peregrinos presentes no Vaticano.
Portanto, a liberdade de expressão não nos dá só o direito de nos expressarmos livremente, de dizermos o que queremos e o que pensamos.
Dá-nos, também, o dever de pensarmos no que dizemos antes de o dizermos.
As palavras são como balas de uma pistola. Assim que disparadas, já não há volta atrás nem arrependimento que que as trave. Assim que são ditas, perdemos o controlo delas. Daí que seja cada vez mais essencial pensarmos nas que usamos antes de as disparar. Sob pena que se voltem contra nós.

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