Instituto Politécnico de Bragança passa a Universidade Politécnica de Bragança
O Instituto Politécnico de Bragança passa, a partir deste sábado, 1 de agosto, a adotar oficialmente a designação de Universidade Politécnica de Bragança e a sigla UPB, anunciou a instituição, em comunicado.
A alteração decorre da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), aprovada pela Lei n.º 32/2026, de 20 de julho, e reconhece a evolução científica, pedagógica e institucional alcançada pelo ensino politécnico português.
Com a entrada em vigor da nova designação, a identidade institucional e os símbolos do atual IPB serão alterados. O nome Universidade Politécnica de Bragança — UPB passará a ser utilizado em documentos, plataformas, meios digitais e restantes formas de comunicação.
Segundo a instituição, a mudança reconhece a qualidade das formações ministradas, o desenvolvimento da investigação científica e a crescente participação dos politécnicos no sistema científico e tecnológico nacional.
“As instituições de ensino superior politécnico são hoje instituições produtoras de conhecimento”, salienta o comunicado, destacando o seu papel na investigação, formação avançada, inovação, transferência de tecnologia e procura de respostas para os desafios económicos, sociais e ambientais.
A nova designação não altera a matriz do ensino ministrado, que continuará assente numa formação prática e aplicada, na investigação orientada para a resolução de problemas e numa forte ligação às empresas, às comunidades e ao território.
UPB destaca impacto internacional
A Universidade Politécnica de Bragança considera que a transformação representa o reconhecimento do estatuto alcançado pela instituição no ensino superior português e internacional.
No comunicado, a futura UPB apresenta-se como uma das instituições portuguesas com maior impacto internacional e sublinha o seu desempenho científico, refletido nos principais rankings internacionais de universidades.
A instituição destaca ainda a construção de um projeto académico e científico “de reconhecida qualidade”, simultaneamente ligado ao território e aberto ao mundo.
“A Universidade Politécnica de Bragança assume esta nova identidade preservando a sua história, os seus valores e o compromisso com os estudantes, com a região e com o país”, refere.
A internacionalização tem sido uma das principais marcas da instituição, através da atração de estudantes estrangeiros, da participação em redes científicas e académicas e do desenvolvimento de projetos de cooperação com instituições de diferentes países.
Instituição sublinha papel na coesão territorial
A passagem de instituto a universidade politécnica reconhece também o contributo destas instituições para a coesão territorial, sobretudo nas regiões do Interior.
A UPB destaca a sua capacidade de atrair e qualificar estudantes, apoiar empresas e comunidades, estimular a inovação e contribuir para a criação de emprego qualificado.
Segundo a instituição, os estabelecimentos de ensino politécnico são o “principal garante” da presença do ensino superior, da ciência e da inovação em todo o território nacional.
No caso de Bragança, a universidade constitui um dos principais polos de atração de população jovem, dinamização económica e promoção internacional da região.
Transformação em universidade até ao final do ano
A adoção da designação Universidade Politécnica de Bragança não encerra o processo de evolução institucional.
Encontra-se em desenvolvimento um procedimento destinado a transformar a UPB em Universidade, na sequência de uma proposta apresentada pela própria instituição e do consenso alcançado em torno desse objetivo.
A Universidade Politécnica de Bragança espera que o processo esteja concluído até ao final de 2026, abrindo uma nova etapa no desenvolvimento de uma instituição diferenciada, de matriz territorial e vocacionada para a inovação, a cooperação internacional e a produção de conhecimento com impacto na sociedade.
A transformação poderá permitir à instituição aprofundar a oferta formativa, a investigação científica e a capacidade de intervenção em áreas tradicionalmente associadas ao subsistema universitário.
A nova legislação permite, contudo, que as universidades politécnicas possam integrar cursos e unidades orgânicas anteriormente reservados às universidades clássicas, mantendo-se a diferenciação entre os dois subsistemas do ensino superior.
O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Luís Loures, considera que a mudança reconhece “a grande maturidade científica e pedagógica” alcançada pelas instituições politécnicas, a sua capacidade de investigação aplicada, a qualidade do corpo docente e o trabalho realizado em favor da coesão territorial.
Para o responsável, a alteração da nomenclatura “apenas peca por tardia” e não coloca em causa o sistema binário, assente na coexistência do ensino universitário e do ensino politécnico.
No caso de Bragança, a mudança assume particular importância devido ao papel do IPB na atração de estudantes, na formação de profissionais qualificados e na dinamização económica, social e cultural de uma região de baixa densidade.
O CCISP entende que a utilização da palavra “universidade”, mais facilmente reconhecida internacionalmente, poderá aumentar a projeção externa das instituições e melhorar a sua capacidade de atração de estudantes, docentes e investigadores estrangeiros.
Presidente passa a reitor
A mudança de designação terá também consequências no modelo de governação. O dirigente máximo da futura Universidade Politécnica de Bragança passará a ter a designação de reitor, em substituição de presidente.
Nos futuros processos eleitorais, o reitor será escolhido diretamente pela comunidade académica, através de um universo que inclui docentes e investigadores, estudantes e pessoal técnico, especialista e de gestão. O mandato terá a duração de quatro anos e poderá ser renovado uma vez.
O novo RJIES reforça ainda a autonomia orçamental, patrimonial e de gestão das instituições de ensino superior.
CCISP reclama correção do subfinanciamento
Apesar de saudar o aumento da autonomia, o Conselho Coordenador alerta que a alteração da designação terá de ser acompanhada por uma revisão do modelo de financiamento.
Luís Loures defende uma maior equidade entre os subsistemas universitário e politécnico e considera que o reconhecimento das novas universidades politécnicas deve conduzir à correção das diferenças de financiamento entre instituições.
Segundo os números apresentados pelo CCISP, o financiamento do ensino superior em Portugal encontra-se 48% abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
“Dificilmente poderemos ser verdadeiramente competitivos a nível internacional se a tutela e o Governo continuarem a apostar num modelo de financiamento que nos coloca na cauda da Europa”, alertou Luís Loures.
O responsável considera que a transformação representa um compromisso com o futuro e poderá reforçar a visibilidade das regiões do Interior, onde instituições como o IPB constituem um dos principais fatores de fixação de população, qualificação e desenvolvimento económico.
