V Jornadas Eucarísticas assinalaram em Bragança legado da fundadora das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado
As V Jornadas de Espiritualidade Eucarística, organizadas pelas Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, realizaram-se na quarta-feira, 10 de junho, em Bragança, por ocasião do 44.º aniversário da morte de Alzira Sobrinho, conhecida na congregação como Irmã S. João Evangelista, sob o tema da Paz.
A iniciativa, que evocou a vida e a obra da fundadora da congregação cujo processo de beatificação e canonização foi aberto em 2024, teve como convidado D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa mas com raízes familiares em Torre de Moncorvo, que destacou a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e na missão de cada cristão.
Em declarações ao Mensageiro de Bragança, D. Rui Valério afirmou que a importância deste tipo de encontros pode ser entendida em três dimensões: a celebração da Eucaristia, o aprofundamento teológico e o encontro entre os participantes.
“Estes encontros começam por colocar no centro da atenção, de todo o programa e de toda a estrutura da jornada, a Eucaristia, o que é bem sintomático relativamente à posição que deve ter na vida da Igreja e de cada cristão”, explicou.
O Patriarca de Lisboa recordou que o Concílio Vaticano II apresenta a Eucaristia como “a fonte e o cume da vida cristã”, destacando os momentos de adoração e de celebração que integraram a jornada.
“São jornadas nas quais se vive a Eucaristia”, resumiu, defendendo também a importância do aprofundamento do conhecimento e da doutrina eucarística.
Para D. Rui Valério, estes encontros proporcionam ainda a partilha de experiências pessoais e reforçam a dimensão missionária da Igreja.
“A Eucaristia não é uma resposta a uma devoção individual, mas o fortalecimento de uma vocação, que é a de toda a Igreja e de cada cristão, em ordem à missão evangelizadora”, afirmou.
Questionado sobre a participação dos jovens na vida eucarística, o Patriarca de Lisboa rejeitou a ideia de que as novas gerações estejam afastadas deste sacramento.
“Aquilo que tenho verificado, seja em Lisboa, seja noutras geografias nacionais e internacionais, é que os jovens estão cativados pela Eucaristia”, declarou.
Segundo D. Rui Valério, os jovens encontram na adoração eucarística a proximidade com Jesus, mas
também um espaço de encontro, partilha e fraternidade.
“A Eucaristia é Cristo real perante e na presença da pessoa, desafiando-a a entrar em comunhão consigo”, salientou.
O Patriarca considerou ainda que a Eucaristia permite superar fronteiras entre pessoas, culturas e gerações, correspondendo ao “coração ecuménico e universalista” dos jovens.
A jornada assinalou igualmente os 44 anos da morte de Alzira Sobrinho, fundadora das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado. A religiosa, que adotou o nome de Irmã S. João, esteve na origem do caris-
ma eucarístico e reparador da congregação.
D. Rui Valério destacou a importância do testemunho da fundadora e de outras vidas consagradas para o aparecimento de novas vocações e para o crescimento espiritual da Igreja.
“Esses exemplos não apenas atraem e são referências, mas são o nutrimento indispensável para o desenvolvimento da santidade da própria Igreja”, afirmou.
O Patriarca de Lisboa descreveu estas vocações como “almas dedicadas que se consomem na adoração, no louvor, na vivência e na comunhão com a Eucaristia”.
“São essas vidas e essas práticas históricas que constituem o melhor húmus e o melhor contributo para que o campo da santidade da Igreja cresça, se fortaleça e dê muitos frutos”, concluiu.
Já a Superiora Geral das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, a Ir. Emília Seixas, congratulou-se com este evento de reflexão sobre a Eucaristia e a paz, na celebração do 44.o aniversário do falecimento
de Alzira da Conceição Sobrinho, Ir. Maria de S. João Evangelista, cujo processo de beatificação e canonização foi aberto em 2024.
Saudando a presença do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, do Bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida e dos sacerdotes e leigos, congratulou-se por este tempo e espaço de formação Eucarística “para que em todos se desenvolva o amor a Jesus Eucaristia, aquele amor que levava a Irmã Maria de S. João Evangelista até a desejar a morte física, só para estar sempre, sempre com o seu Jesus, o Amado da sua alma”, disse.
“A sua fé inabalável na presença real de Jesus na hóstia consagrada levava-a a não entender como é possível passar um só dia sem comungar Jesus”. E citou-a: “Atravessaria chamas, perigos, fomes, tudo para não ficar um só dia sem ela!”.
A Ir. Emília Seixas referiu ainda: “Hoje, como ontem, o mundo, a sociedade pretende construir destruindo. A fome do poder e do ter produz obesidade mórbida e insaciedade patológica em “uns poucos” que se sentem donos
do mundo, provocando em “uns muitos” uma fome real de alimento e de direito à vida e à dignidade. O barulho dos mísseis e da destruição perfuram os nossos tímpanos, podendo deixar-nos surdos à voz dos que clamam o
direito à paz”.
Por isso considerou que “a oração tudo pode. De entre as forças é a maior força”. Citou ainda a Magnifica Humani
tas de Leão XIV, nos números 11 a 14, na qual ele refere que “para construir o bem nos são exigidas quatro coisas: edificar sobre a rocha da relação com Deus; aceitar os limites da fragilidade da humanidade, sem os considerar um erro a corrigir, uma corresponsabilidade corajosa e uma linguagem evangélica. Citou ainda des-
ta mesma encíclica o número 228: “para nós a paz vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente”!
Da parte de tarde, foi abordado o mesmo tema num painel mas na perspetiva de Alzira Sobrinho e de S.
Francisco de Assis, figura referencial da paz, que é recordado neste ano jubilar dos 800 anos da sua
Páscoa.
Foi ainda feita uma reflexão sobre a paz que é pedida na Eucaristia e se dá ao mundo, como celebrantes do mistério, nutridos pela presença do Ressuscitado.
Esta Jornada contou com a presença e testemunho de D. Nuno Almeida, Bispo de Bragança-Miranda.
