A opinião de ...

Atrás de um ecrã há sempre uma pessoa

O I Encontro Nacional dos Missionários Digitais oficializou em Alfândega da Fé a evangelização virtual como pastoral da comunhão. Sob o impulso do padre Manuel Ribeiro, o encontro acendeu o debate sobre o “fazer caminho” no digital. A iniciativa atraiu mais de três mil inscritos a uma vila de apenas dois mil habitantes, provando que onde cabe o coração de um transmontano, cabem três mil internautas e uma imensidão de fé.
Para Monsenhor Lucio Adrián Ruiz, conferencista e antigo secretário do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, habitar a rede de forma autêntica exige discernimento crítico, “atrás de um ecrã há sempre uma pessoa”. Na mensagem do Papa Leão XIV, lida por D. Nuno Almeida, Bispo de Bragança-Miranda, pediu-se uma presença católica que combata as polarizações, através de uma ação que “liberta, esclarece e congrega”.
O padre Guilherme Teixeira reforçou que o foco não são as métricas, “não se trata de algoritmos, trata-se de relação”. Como resposta prática à Agência Ecclesia, o padre Fernando Calado, capelão da Universidade Politécnica de Bragança (UPB) que há 23 anos defendia o uso da Internet na evangelização, hoje acrescenta e sugere uma “Ação Católica para as tecnologias” assente na desintoxicação digital e no silêncio.
No encerramento, o tecno-dinamismo do Padre DJ, Guilherme Peixoto conciliou a harmonia entre fé e cultura moderna, desafiando a agir “online” sem perder as raízes no concreto. A caminhada digital já tem destino traçado, a Arquidiocese de Évora acolherá o II Encontro Nacional em 2028.

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