Bispo D. Nuno Almeida quer vida pastoral da cidade e da diocese pensada a partir da catedral
O Bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, defendeu, esta quarta-feira, que a catedral deve assumir um papel central na vida pastoral da cidade e da diocese, durante a Eucaristia comemorativa dos 25 anos da dedicação do templo, que contou com a presença do Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa.
“É hora de pensarmos e de vivermos a vida pastoral da cidade de Bragança e da diocese de Bragança-Miranda a partir da nossa Catedral”, afirmou o prelado, na saudação proferida no início da celebração.
D. Nuno Almeida apresentou a catedral como um lugar de celebração da fé e dos sacramentos, que “marca o ritmo e aponta a direção da vida pessoal, familiar e pastoral”. Comparando-a a um “regaço materno”, sublinhou que acolhe os fiéis e os envia novamente para o mundo, fortalecidos pela caridade, pela Palavra e pela Eucaristia.
Ao agradecer a presença do Núncio Apostólico, que nesse dia celebrava 22 anos de ordenação episcopal, o Bispo pediu-lhe que transmitisse ao Papa as saudações da comunidade diocesana e a sua vontade de contribuir para os objetivos do processo sinodal.
“Queremos oferecer sem reservas o nosso humilde e decidido contributo para que se realizem os objetivos do Sínodo em curso: um modo de ser Igreja mais feliz, mais comunitário, sinodal e missionário”, declarou.
A celebração contou também com a presença do Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, do Bispo emérito de Bragança-Miranda, D. António Montes, e dos Bispos de Vila Real, da Guarda e do Ordinariato Castrense.
D. Nuno Almeida dirigiu uma saudação especial a D. António Montes, cuja ordenação episcopal, realizada a 14 de outubro de 2001, completa igualmente 25 anos este mês.
Perante as autoridades presentes, entre as quais as presidentes das Câmaras de Bragança e de Miranda do Douro, o prelado agradeceu a cooperação das instituições em favor do bem comum e do desenvolvimento das pessoas e das famílias.
Aos sacerdotes, diáconos, religiosos, seminaristas e leigos, deixou palavras de reconhecimento pelo serviço às comunidades. Aos que colaboram na catequese, na liturgia e na caridade, desejou que os seus braços “nunca se cansem” e que continuem a contribuir para “a construção de uma Igreja viva”.
O aniversário foi também ocasião para recordar D. António Rafael, apresentado como o “Bispo da Catedral”, e agradecer a quem tornou possível a construção e consolidação do templo.
No final da Eucaristia, D. Nuno Almeida destacou D. António Montes, D. José Cordeiro, o engenheiro Jorge Nunes, o Cónego João de Barros e o Pe. Bento Soares, como representantes da “multidão de benfeitores”.
“Não se trata de entregar óscares ou globos de ouro, mas sim de manifestar gratidão de uma forma simples e simbólica a quem nos legou esta Catedral”, explicou.
Texto completo:
SAUDAÇÃO NA EUCARISTIA
Ao Senhor Núncio Apostólico, Mons. Andres Carrascosa, agradeço a amabilidade da sua presença – no dia em que celebra 22 anos de ordenação episcopal - peço que transmita ao Santo Padre as saudações mais cordiais e sinceras de comunhão e de proximidade do bom povo desta diocese de Bragança-Miranda. Queremos oferecer sem reservas, o nosso humilde e decidido contributo para que se realizem os objetivos do Sínodo em curso: um modo de ser igreja mais feliz, mais comunitário, sinodal e missionário.
Ao Senhor Arcebispo Primaz de Braga e Metropolita da Província Eclesiástica e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Cordeiro; dirijo uma especial saudação de gratidão ao Sr. D. António Montes, pastor emérito incansável. Com o Sr. D. António iniciamos hoje a celebrar os 25 anos da sua ordenação episcopal, que ocorreu a 14 de outubro de 2001; aos Senhores Bispos de Vila Real, D. António Augusto, da Guarda, D. José Miguel e do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis, agradecemos a generosa presença e renovamos a vontade para caminhar numa colegialidade efetiva e afetiva.
Saúdo e agradeço a presença da Senhora Presidente da Câmara Municipal de Bragança e respetivo executivo, da Senhora Presidente da Câmara de Miranda do Douro. Saúdo o Presidente da Assembleia Municipal de Bragança, o Senhor Presidente da União de Freguesias de Santa Maria e Meixedo e todos os autarcas presentes.
Saúdo com respeito, cordialidade e com um grande bem hajam pela significativa presença, das autoridades civis, académicas e forças de segurança e de proteção aqui presentes.
Agradeço a frutuosa cooperação e parceria - com todas as autoridades, entidades e instituições - que contribui para o bem comum e para desenvolvimento das pessoas, famílias e instituições.
Quero saudar, com um abraço fraterno de comunhão, os sacerdotes e diáconos, bem como os membros das famílias religiosas que, nestas terras do interior, dão testemunho de uma total consagração a Jesus Cristo. Saúdo os nossos seminaristas do Seminário Interdiocesano e do Seminário na Família.
Desejo saudar com gratidão e estima os cristãos leigos e leigas representantes das Unidades Pastorais e comunidades paroquiais, bem como os que, nos serviços diocesanos, nas paróquias e movimentos eclesiais, colocam ao serviço de todos o próprio tempo e capacidades, na catequese, na liturgia e na caridade. Individualmente ou associados em Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades, que os vossos braços nunca se cansem e o vosso coração continue a abrir-se generosamente à construção de uma Igreja viva animada pelo Espírito do Senhor Ressuscitado.
À Comunicação Social agradeço o trabalho realizado para o bem comum e que leva ao longe e ao largo o que hoje aqui celebramos.
Obrigado aos grupos corais e instrumentais, especialmente ao Coro de Nossa Senhora Rainha e a todos os que prepararam esta celebração, as várias representações arciprestais e comunidades paroquiais.
Recordamos, trazemos à nossa memória e coração o Sr. D. António Rafael, conhecido como o “Bispo da Catedral”
Desde há 25 anos, a nossa Catedral é lugar para a celebração da fé, na Eucaristia e demais sacramentos, deixando transparecer a presença de Jesus Ressuscitado, princípio vital da Igreja.
A nossa Catedral, qual “regaço materno”, convida os seus filhos a entrar, enviando-os, no final do encontro, refeitos pelo alimento da caridade, da palavra e do pão, para o mundo, onde devem ser fermento de uma humanidade cristificada.
A nossa Catedral é o lugar para a celebração participada e consciente da fé na Eucaristia e demais sacramentos, deixando transparecer a presença de Jesus Ressuscitado, princípio vital da Igreja. É centro, marca o ritmo e aponta a direção da vida pessoal, familiar e pastoral. É hora de pensarmos e de vivermos a vida pastoral da cidade de Bragança e da diocese de Bragança-Miranda a partir da nossa Catedral.
Termino com as belas e significativas as palavras que Pascal Mercier coloca na boca do protagonista do seu famoso romance “Comboio Noturno para Lisboa” editada em português em julho de 2026: “Eu não gostaria de viver num mundo sem catedrais. Preciso da sua beleza e grandeza. Preciso delas para combater a vulgaridade do mundo. Quero olhar para as janelas iluminadas das igrejas e deixar-me cegar pelas cores celestiais. Preciso do brilho. Preciso dele para enfrentar as cores sujas e uniformes. Quero deixar-me envolver pela frieza austera das igrejas. Preciso do seu silêncio imperioso. (…). Quero ouvir o sussurro do órgão, a enchente de sons etéreos. (…). Gosto de pessoas a rezar. Preciso de as ver. (…). Quero ler as palavras poderosas da Bíblia. (…). Um mundo sem estas coisas seria um mundo no qual não queria viver!”
AGRADECIMENTOS NO FINAL DA EUCARISTIA
“A Casa de Deus
A casa de Deus está assente no chão
Os seus alicerces mergulham na terra
A casa de Deus está na terra onde os homens estão
Sujeita como os homens à lei da gravidade
Porém como a alma dos homens trespassada
Pelo mistério e a palavra da leveza
Os homens a constroem com materiais
Que vão buscar à terra
Pedra vidro metal cimento cal
Com suas mãos e pensamento a constroem
Mãos certeiras de pedreiro
Mãos hábeis de carpinteiro
Mão exacta do pintor
Cálculo do engenheiro
Desenho e cálculo do arquitecto
Com matéria e luz e espaço a constroem
Com atenção e engenho e esforço e paixão a constroem
Esta casa é feita de matéria para habitação do espírito
Como o corpo do homem é feito de matéria e manifesta o espírito
A casa é construída no tempo
Mas aqui os homens se reúnem em nome do Eterno
Em nome da promessa antiquíssima feita por Deus a Abraão
A Moisés a David e a todos os profetas
Em nome da vida que dada por nós nos é dada
É uma casa que se situa na imanência
Atenta à beleza e à diversidade da imanência
Erguida no mundo que nos foi dado
Para nossa habitação nossa invenção nosso conhecimento
Os homens constroem na terra
Situada no tempo
Para habitação da eternidade
Aqui procuramos pensar reconhecer
Sem máscara ilusão ou disfarce
E procuramos manter nosso espírito atento
Liso como a página em branco
Aqui para além da morte da lacuna da perca e do desastre
Celebramos a Páscoa
Aqui celebramos a claridade
Porque Deus nos criou para a alegria.”
(Páscoa de 1990, Sophia de Mello Breyner Andresen – Obra Poética. Lisboa: Ed. Caminho, 2011, 872-873).
Não se trata de entregar óscares ou globos de ouro, mas sim de manifestar gratidão de uma forma simples simbólica a quem nos legou esta Catedral:
Lembramos D. José Rafael … iremos rezar por ele e pelos Bispos aqui sepultados.
D. António Montes; D. José Cordeiro; Engo Jorge Nunes, Con. João de Barros; P. Bento Soares: São como que representantes da multidão de bem-feitores!
